Valores naturais & culturais

Fauna



Mamiferos

Na área do Parque Natural estão inventariadas 35 espécies de mamíferos. De entre estas, atribui-se um claro destaque ao lince ibérico Lynx pardinus que estava extinto no nosso país e que tem sido reintroduzido na área do Parque Natural desde finais de 2014.

Pelo seu estatuto de conservação destacam-se ainda, a lontra Lutra lutra, o gato bravo Felis silvestris, o leirão Elyomis quercinus e várias espécies de morcegos, como o morcego-de-ferradura-mediterrânico Rhinolophus euryale, o morcego-de-ferradura-mourisco Rhinolophus mehelyi, o morcego-de-peluche Miniopterus schreibersi, o morcego-rato-grande Myotis myotis, o morcego-de-ferradura-grande Rhinolophus ferrumequinum e o morcego-de-ferradura-pequena Rhinolophus hipposideros. Estes morcegos habitam em fendas rochosas ou em antigas cavidades mineiras.

Lista de Mamiferos



Peixes

No rio Guadiana e afluentes existem 16 espécies de peixes, dos quais 10 são endemismos ibéricos e 4 ocorrem apenas na bacia hidrográfica do Guadiana.
É o caso do saramugo Anaecypris hispanica, da boga do Guadiana Chondrostoma willkommii, do barbo-de-cabeça-pequena Barbus microcephalus e do caboz-de-água-doce Salaria fluviatilis.

Entre os peixes migradores, os mais importantes são a lampreia Petromyzum marinus e a saboga Alosa fallax e sável Alosa alosa que está em perigo de extinção.
Se quiseres saber mais sobre os peixes que ocorre nos planos de água do Parque Natural Vale do Guadiana, consulta aqui a lista com algumas das espécies mais importantes.

Lista de Espécies




Aves

A avifauna é um dos grupos mais visíveis e importantes do Parque. As aves de rapina criam nas escarpas que ladeiam os cursos de água, como é o caso da águia de Bonelli Hieraaetus fasciatus, da águia-real Aquila chrysaetos e do bufo-real Bubo bubo, a maior espécie de mocho da Europa. Neste tipo de habitat, designado de rupícula, ocorre também a cegonha-preta Ciconia nigra que, ao contrário da sua parente branca, é muito tímida, procurando sempre as zonas menos perturbadas para criar.

Na vila de Mértola ocorre a última colónia urbana do país de uma espécie bastante rara e ameaçada – o francelho ou peneireiro-das-torres Falco naumanni.

Nas zonas de planície, encontram-se as chamadas aves de estepe como é o caso da abetarda Otis tarda, a maior ave terrestre voadora da Europa, do sisão Tetrax tetrax, do cortiçol-de-barriga-negra Pterocles orientalis, que transporta água para as crias graças às penas da barriga, da calhandra-real Melanocorypha calandra ou do alcaravão Burhinus oedicnemus. Estas zonas são também habitat de uma das águias mais emblemáticas da Península Ibérica, a águia imperial ibérica Aquila adalberti.

Lista de Espécies_Aves




Anfíbios e répteis

Dentro do grupo dos anfíbios, das 17 espécies que ocorrem em Portugal, pelo menos 13 podem ser observadas na área do Parque Natural, destacando-se pela sua raridade e/ou importância das populações a rã-de-focinho-pontiagudo Discoglossus galganoi, o sapo-parteiro-ibérico Alytes cisternasii e o tritão-de-ventre-laranja Triturus boscai.

Nas primeiras chuvas após o verão, podem-se observar grandes quantidades de anfíbios, nas suas migrações para os locais de reprodução, que, muitas vezes, correspondem a “charcos temporários”.

No grupo dos répteis, estão referenciadas pelo menos 20 espécies, sendo de evidenciar a cobra-de-pernas-pentadáctila Chalcides bedriagai, espécie rara e que se restringe à Península Ibérica e a cobra-de-água-de-colar Natrix natrix.

Na região podem ainda observar-se duas espécies de cágados, uma delas bastante rara no contexto nacional – o cágado-de-carapaça-estriada Emys orbicularis. De registar ainda a ocorrência de uma espécie de osga invulgar, a osga-turca Hemidactylus turcicus.

Lista de Espécies_Anfíbios e Répteis




Invertebrados

Os invertebrados são todos os animais multicelulares que não têm coluna vertebral. São normalmente agrupados nesta designação os vermes, insetos e outros artrópodes, os equinodermes (estrelas do mar, holotúrias ou pepinos-do-mar), bem como, outras classes de animais sem esqueleto interno. Este é o grupo com maior número de espécies em todo o planeta.
Na área do Parque Natural, por ser um grupo muito variado e extensivo, destacamos apenas algumas espécies mais distintivas, como é o caso de alguns bivalves.
Existem localmente quatro espécies nativas de bivalves, nomeadamente, o almeijão-comum Anodonta anatina, o mexilhão-de-rio-negro Potomida littoralis, o mexilhão-de-rio-comum Unio pictorum e o mexilhão-de-rio Unio crassus. Este último é a única espécie protegida, estando incluída no Anexo II da Diretiva Habitats, no entanto, todas as restantes espécies nativas estão ameaçadas, principalmente devido à perda ou alteração do seu habitat.
De momento são já conhecidas cerca de 300 espécies de aranhas apenas na área do Parque Natural. Uma grande parte destas espécies é endémica da Península Ibérica, incluindo 2 endemismos, cuja distribuição a nível mundial está restrita a esta área protegida: a Aranha-de-Tolkien Amphiledorus ungoliantae e a Zodarion guadianense.
Outro grupo importante é o das libélulas e libelinhas. São insetos aquáticos (de água doce) da ordem Odonata, i.e. têm peças bocais com dentes que usam para caçar outros insetos. Em Portugal continental existem 65 espécies de libélulas que representam metade das espécies que existem na Europa (130). Mas, no mundo inteiro, são conhecidas 6500 diferentes espécies. Na área do Parque Natural destacam-se as seguintes espécies: Coenagrion caerulescens; Erythromma lindenii; Gomphus graslinii e a Libellula quadrimaculata.
Presença constante nos campos as borboletas são insetos da ordem Lepidoptera. Das várias espécies que aqui ocorrem podem salientar-se Borboleta-zebra Iphiclides feisthamelii;
Borboleta-cauda-de-andorinha Papilio machaon; Almirante vermelho Vanessa atalanta ou Borboleta-do-medronheiro Charaxes jasius.
Para finalizar o conjunto de charcos temporários estudados no Parque Natural é particularmente rico em espécies de filópodes (pequenos crustáceos de água doce, raramente maiores do que um centímetro) como o Triops cancriformis; Streptocephalus torvicornis ou Cyzicus grubei. De destacar ainda duas espécies de anostraca, ambas não descritas: Tanymastix spp. que, para além da zona de Mértola, foi descoberta numa área restrita do interior do Algarve; e Tanymastigites, este género foi apenas referenciado para o norte de África e para a península da Arábia.

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